Reduzir o período entre doses da vacina da hepatite B aumenta adesão de UDI, revela estudo


A proporção de usuários de drogas injetáveis que recebem as três doses da vacina contra a hepatite B pode aumentar utilizando um esquema de vacinação mais curto, segundo reportaram pesquisadores norte-americanos na edição de novembro do Journal of Infectious Diseases.
Foi oferecido um pequeno incentivo monetário para encorajar os indivíduos a participarem, para que as três doses da vacina pudessem ser administradas. “O pagamento direto para receber as imunizações pode não ser apenas eticamente aceitável, mas é também um modo economicamente eficaz para utilizar os recursos em saúde pública”, comentam os pesquisadores.
Os usuários de drogas injetáveis pertencem a um dos grupos mais afetados pela hepatite B. O vírus é altamente infeccioso, especialmente na fase da infecção aguda e, em casos de infecção a longo prazo, pode levar a sérios problemas de saúde, incluindo cirrose, insuficiência e câncer hepático.
A vacina contra a hepatite B encontra-se disponível nos EUA. Os programas de vacinação direcionados para grupos que se encontram em situação de maior vulnerabilidade de contrair a hepatite B ajudaram a reduzir a incidência da infecção no país. A vacina é normalmente administrada em três doses, num período de seis meses.
Contudo, a proporção de usuários de droga que recebeu a vacina é baixa comparada a outros grupos. Por isso, os pesquisadores do projeto Drugs, Aids, STDs and Hepatitis (DASH) pretendiam observar se reduzir o período das doses da vacina ajudaria a melhorar a taxa de vacinação.
Tendo em mente que a vacina para o HIV e a hepatite C poderão estar disponíveis no futuro, os autores do estudo pretendiam também verificar se a disponibilização de informação sobre os benefícios da vacina e a oferta de pequenos incentivos monetários para receber a vacinação ajudavam a aumentar a taxa de imunização.
Os doentes foram seguidos em intervalos regulares pelo período de dois anos, e monitorizados para observar se desenvolviam níveis de anticorpos, suficientes para protegê-los contra a hepatite B.
A população de estudo incluiu 1.260 UDIs. Todos eram soronegativos para a infecção pelo HIV e hepatite B. Foram randomizados para um dos quatro braços do estudo: 
Períodos das doses da vacina standard contra a hepatite B (mês 0, mês 1, mês 6) e informação standard de saúde sobre o HIV;
Períodos de doses da vacina standard contra a hepatite B e informação adequada sobre a saúde centrada na eficácia e benefícios da imunização contra a hepatite B;
Períodos de doses da vacina contra a hepatite B curto (mês 0, mês 1, mês 2) e informação standard sobre saúde.
Vacinação em períodos mais curtos (mês 0, mês 1, mês 2) e informação melhorada sobre saúde.
Ao todo, 75% dos indivíduos receberam todas as três doses da vacina. Esse grupo incluiu 73% dos que receberam a vacina num período de seis meses e 77% dos indivíduos que receberam as doses da imunização num período mais curto. A diferença nas taxas de adesão entre os dois esquemas não foi significativa.
Os pesquisadores restringiram, então, as suas análises a usuários de drogas injetáveis. Tal demonstrou que acelerar a vacinação por períodos mais curtos ajudava a aumentar as taxas de conclusão da imunização (75% vs 66%, p = 0,04).
No entanto, não houve evidência de que disponibilizar informação melhorada sobre saúde ajudava a aumentar as taxas de vacinação.
Outros fatores associados com a conclusão da imunização inclui idades superiores a 40 anos (p <0,01), raça afroamericana (p = 0,03), ter alojamento e ingerir álcool (p = 0,02).
O uso de speedball – uma mistura injetável de heroína e cocaína – foi associado a taxas mais baixas de conclusão da imunização (p < 0,01), bem como o fato viver na rua (p = 0,02).
A informação sobre a resposta à vacina foi disponibilizada a 707 doentes. Após doze meses de seguimento, 65% tinham desenvolvido o nível mínimo de anticorpos para proteção contra a hepatite B.
Aos seis meses, os indivíduos que receberam todas as três doses em períodos mais curtos tinham significantemente mais probabilidade do que os que esperavam a sua terceira dose no regime de vacinação estandardizada para adquirirem anticorpos contra a hepatite B (62% vs. 49%).
“Os resultados deste estudo indicam que oferecer incentivos monetários em cada visita, vacinações gratuitas e um esquema de vacinação mais curto pode encorajar a adesão, em particular, entre o grupo de alto risco dos usuários de drogas injetáveis”, escrevem os autores.
Os pesquisadores concluem que a investigação “serve de modelo para futuros ensaios clínicos de vacinas para o HIV e hepatite B, e fornece informação sobre a eficácia dos esquemas de vacinação por períodos mais curtos para o aumento da imunização entre consumidores de droga”.

Referência: Hwang L-Y et al. Accelerated hepatitis B vaccination schedule among drug users: a randomized controlled trial. J Infect Dis, vol 202, nº 10, p. 1500-09; published online on November 15, 2010; Doi: DOI: 10.1086/656776. Para acessar o abstract deste estudo, clique aqui.

Fonte: NAM / Aidsmap