O ciclo gravídico-puerperal é uma situação peculiar no que se refere à imunização: a melhor forma de proteger o binômico mãe/feto (ou mãe/criança) é tomar atitudes adequadas na adolescência, muito antes da fecundação. A época mais segura para vacinar é a ocasião em que a jovem, aos 14 ou 15 anos, vai ao consultório, seja do pediatra, ginecologista ou clínico.
Esquema vacinal completo
Se o profissional constatar que o esquema vacinal está completo, indica a dupla do tipo adulto ou a tríplice acelular de reforço. Com esta conduta, a moça ficará protegida por muitos anos contra doenças importantes, mesmo que engravide. No tocante à coqueluche, diversas comprovações mostram que, sem reforços naturais ou vacinais, a imunidade declina e a jovem pode contrair a enfermidade e transmiti-la a bebês pequenos, ainda não imunizados, e estes apresentam formas graves da doença. Uma única dose da tríplice acelular de reforço basta para reverter esta situação de risco. Como esta vacina ainda não está para uso na gestação, há enfática indicação para o uso na adolescência, sempre que houver possibilidade econômica.
Como a vacina contra a varicela não consta da rotina do Programa Nacional de Imunizações (PNI), pessoas que não tiveram a doença estão desprotegidas. A varicela é mais grave em pacientes com mais de 15 anos de idade e envolve risco de lesão fetal se for contraída no início da gestação. Explica-se assim a necessidade de uma atenção especial à prevenção vacinal na juventude.
Esquema vacinal incompleto
“As vacinas faltantes no calendário devem ser atualizadas”, ressaltou o Dr. Ribeiro, “com especial empenho para tranqüilizar a jovem e proceder à administração das vacinas em forma de concomitante, ainda que em regiões corporais diferentes, sempre que possível. É preciso lembrar e ter a segurança para afirmar que condições passageiras como resfriado comum, acne, distúrbios gastrointestinais agudos sem gravidade não constituem contra-indicação a qualquer vacinação.
Considerando a possível prática sexual desta jovem, aumenta a relevância de se indicar a vacinação contra hepatite B (que é oferecida gratuitamente na rede pública para menores de 20 anos) ou aproveitar para fazer a vacina combinada contra as hepatites A e B, sempre que houver disponibilidade financeira”,afirmou.
No início da gestação
Mulheres atendidas no início da gestação já devem receber a vacina dupla do tipo adulto. Esta é a orientação do Guia de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde. Não é mais necessário esperar o segundo trimestre de gravidez, porque a vacina não interfere na formação do novo ser. Por outro lado, como lembram os médicos, a anamnese cuidadosa é útil para detectar aquelas que já receberam doses da vacina anteriormente. É fato comum a perda da carteira de vacinação. Se a grávida não sabe de seus antecedentes neste aspecto, então é preciso aplicar pelo menos duas doses da dupla do tipo adulto, que protegerão o bebê do tétano neonatal.
Uma emissão comum dos colegas que atendem as mulheres é não fazer um levantamento do passado vacinal. Se houver prescrição de três doses da dupla de tipo adulto, sem real necessidade, cria-se, na sala da vacina, um conflito ético de solução mais difícil.
Febre Amarela e Raiva
A vacina contra a febre amarela é composta de vírus vivos atenuados e, portanto, existiria uma contra-indicação teórica para uso na gestação. Mas, se a grávida vai penetrar numa zona de risco, a vacina deve ser administrada. Ela é uma doença icteroemorrágica, e as enfermidades com esta característica costumam ser mais graves na gestação. Se houver indicação, a vacina contra a raiva deve ser dada sem protelações porque a raiva é doença letal, não se podem correr riscos.
Puerpério
“O pós parto é uma ótima ocasião para indicar vacinas, especialmente se a puérpera não tomou ainda vacina contra rubéola e nem teve a doença”, destacam os especialistas. Eventualmente, se ela receber a imunoglobulina para seu problema de tipo sanguíneo Rh, existe uma grande possibilidade de interferência com a imunização com vacina de vírus vivo. Elas podem ser administradas, mas deve-se indicar uma repetição após um intervalo mínimo de um mês.
Vale lembrar que a amamentação não é contra-indicação a qualquer vacina. A vacina contra a influenza é uma das mais interessantes no sentido de tentar proteger o bebê prematuro. Como não pode ser aplicada em menores de 6 meses de idade, deve ser oferecida aos contatos hospitalares e domiciliares.
O Quadro ao lado enumera apenas alguns dos equívocos mais comuns que têm ocorrido no tocante à vacinação da moça e da gestante.
Gripe
“Há pesquisas demonstrando que a gripe tem maior risco de complicações na mulher grávida do que fora da gestação. Em diversos países existe indicação de vacinar a gestante quando o segundo ou terceiro trimestre vai coincidir com a temporada de gripe”.
A questão da hepatite B
Com grande freqüência, a hepatite B gera dúvidas. A vacina é eficaz e segura. Em geral não é dada na fase gestacional para evitar falsas reações adversas, ou seja, eventos coincidentes com a vacinação e que não são causados por ela, mas que podem lançar dúvidas sobre a segurança vacinal. Mas já houve antecedentes de má interpretação desta conduta e uma entidade profissional fez contra-indicação equivocada da vacina na gestação. Médicas, dentistas, enfermeiras e outras gestantes que exerçam atividades de risco podem e devem ser vacinadas contra a hepatite B ou completar o esquema já iniciado.
A maioria das mães não tem a determinação prévia do HbsAg, o que nos leva a indicar a vacina contra a hepatite B ao recém-nascido nas primeiras 12 horas de vida. Considerando aquelas gestantes que são positivas para o citado marcador, deve-se administrar no bebê não só a vacina como a imunoglobulina específica. Como o resultado do exame já é conhecido antes do parto, os médicos destacam que se deve programar a administração deste imunobiológico e providenciá-lo junto aos Centros de Referência com a devida antecedência, sem deixar esta provisão para horas impróprias, como os finais de semana.
|